Prozac, ou pro surf?

“Três quartos das loucuras não passam de tolice.” (Nicolas Chamfort)

SENTES que estás a ficar maluco? Ou que é o mundo que está a ficar louco? Parece que nada faz sentido, e tudo aquilo que te ensinaram não encaixa em lado nenhum? Os cursos superiores não valem nada, oportunidades de trabalho não existem, e ainda por cima, as gajas, em vez de te ajudarem, ou lançarem-se aos teus pés, são tuas concorrentes, no trabalho, e no mar. Foda-se, que não há cu que aguente, pensas tu. Parabéns, bem vindo á Loucolandia, e não te preocupes, porque praticamente está toda a gente como tu, ou pior. Para tua informação, não há praticamente ninguém, mentalmente saudável neste mundo de loucos. Não acreditas? Então eu explico-te. Ficas a saber que há pelo menos 297 transtornos mentais. Isto, segundo a Bíblia da profissão psiquiátrica, que dá pela sigla DSM e que em português quer dizer qualquer coisa como Manual de Diagnostico e Estatístico de Transtornos Mentais. Até agora, houve quatro edições, a quinta está prevista para a primavera de 2013, e é provável que acrescente mais umas “loucuras” á longa lista já existente. As edições deste manual da “maluqueira” são revistas pela Associação Americana de Psiquiatria, e enumera, e define cada desordem, certificando-a oficialmente como transtorno mental. Não respires de alivio por isto ser feito pelos malucos dos americanos, porque, mais tarde ou mais cedo, essas certificações, ou classificações, também serão adoptadas cá. O facto de esta “Bíblia” ser usada pelos psiquiatras que trabalham para as companhias de seguros deveria deixar-te ainda mais arrepiado. Outra coisa que te deveria deixar preocupado, a ti, e a quem tenha dois dedos de testa, é que lendo as descrições destes distúrbios, vê-se logo, que eles são apenas menus de comportamento. Muitos deles são baseados em nada, outros são puras invenções. Então não existem doenças mentais? Perguntas tu, e perguntas muito bem. infelizmente existem, só que não são tantas como se argumenta, e nem tudo o que é comportamento bizarro é doença mental. Um dos craques da psiquiatria americana, o Dr. Allen Frances, afirmou que “Não há definição de um transtorno mental. Isso é asneira. Quer dizer, é praticamente impossível de definir.” Isto é praticamente a mesma coisa que o Papa afirmar que não há Deus. Por tudo isto, está descansado, que essa tua mania de usares lingerie sexy no segredo do teu quarto, ou comeres a comida do teu cão, ou te masturbares enquanto pensas na Madre Teresa de Calcutá, não tem nada a ver com maluqueira, e se o teu psiquiatra discordar, e te receitar Prozac, manda-o bugiar e adopta o pro surf. É mais barato, e mais saudável. Boas ondas.

 

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O surf e a cidade.

“A minha cidade é como um jogo de xadrez: para cada dama, oito peões.”
(Eugênio Mohallem)

NÃO é o sexo e a cidade, mas é quase. Pronto, confesso que só usei este titulo, porque me lembrei da série “o sexo e a cidade”. Devo estar a ficar tarado, provavelmente é da idade. Mas voltando ao titulo, a cidade define o surfista, ou não? Um surfista de Peniche será diferente de um de Matosinhos? Um do Rio de Janeiro, será diferente de outro de Los Angeles? Será que podemos falar do surfista da Covilhã, ou de Rio Tinto? Ou, mesmo do Tibete? A relação entre a cidade e a pessoa, a forma como a cidade se esfrega no seu cidadão, causando fricção ou prazer, também poderá definir o estilo de surf que o indivíduo pratica? È provável que sim, e deve ser por isso que há lugares onde o indivíduo não se sente em casa, nem á lei da bala, e outros onde um gajo está como no sofá da sala. Tipo o McNamara na Nazaré. Vamos supor por um momento que o caracter de uma cidade tem um efeito efectivo nos seus habitantes, então tu serás o produto da tua cidade, se não na totalidade, pelo menos em parte, mais precisamente na parte social. Se souberes definir o caracter da urbe que habitas, provavelmente saberás definir o teu. Se for uma cidade costeira, terá uma relação bem definida com o mar. Se ela estiver de costas para o mar é bem provável que tu também estejas. Os mais místicos dizem que não somo nós que escolhemos a cidade, mas sim, a cidade que nos escolhe a nós. A cidade é o navio, e nós, os seus habitantes, meros passageiros, e quando ela não está satisfeita connosco, manda-nos borda fora. Francamente não sei, eu, de misticismo não percebo nada. O que sei, é que vivo numa cidade á beira mar, que pela sua morfologia urbana, pode promover a esquizofrenia. Adivinha lá qual é ela. Eu disse esquizofrenia? Não fui eu, a sério que não fui eu que disse isso, foi o gajo que está a escrever esta lengalenga. Boas ondas.

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Foda-se que amuei!

“Errar é humano, colocar a culpa no computador é mais humano ainda.”
(Autor Desconhecido)

HOJE não coloco post nenhum porque estive quase uma hora para aceder ao painel de controlo deste blogue. O site que controla a plataforma do blogue não me deixava aceder ao menu de controlo e não havia nada que eu pudesse fazer. Sendo assim não coloco post nenhum, ou melhor, coloco um post sobre o facto de não colocar um post. Devo estar a ficar maluco. E como devo estar a ficar maluco, também resolvi amuar como fazem os putos, os malucos também tem direito de amuar, ou não? Uma das merdas boas que tem o surf, é que não é preciso ligar a puta da prancha a lado nenhum, pelo menos por enquanto. Esta treta da informática, e da net é fantástica, mas quando corre mal, é uma frustração danada. Isso faz-me lembrar aquela anedota da senhora que ligou para a Apple a dizer que o seu computador novo não funcionava. Explicou que tirou o computador da embalagem, ligou-o á tomada, e esperou 20 minutos e nada aconteceu. Quando o funcionário lhe perguntou o que acontecia quando ela carregava no botão “ligar”, ela respondeu: “Que botão de ligar?”. Boas ondas.

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O polidor de esquinas pós moderno.

“É estranho que, sem ser forçado, alguém saia em busca de trabalho.
(William Shakespeare)

SE achas que o melhor investimento é o trabalho, e és um escravo do mesmo, continua, porque é ele que dará maior segurança ao próximo marido da tua viuva, depois de te matares a trabalhar. Na vez de servires o trabalho, deves fazer com que o trabalho te sirva a ti. Isto vale para tudo, mesmo para o surf. O surf deve estar ao teu serviço, e não seres tu a estar ao serviço do surf. Nunca confundas as coisas. Se tens trabalho óptimo, se não tens, não te julgues uma merda por causa disso. Não faças do trabalho a meta da tua vida. Lembra-te do exemplo daquele velho, que trabalhou toda a vida que nem um cão, e nunca teve tempo para arranjar mulher, nem deixar descendência, depois, já no fim da vida, e com bastante dinheiro acumulado, resolveu desposar uma jovem. Antes disso, resolveu fazer uma pergunta ao famoso especialista em tudo, o nosso conhecido Rodrigo Pompeu, pergunta o velho:
– Um homem de oitenta anos pode ter filhos?
– Com uma condição – respondeu Pompeu.
-Qual?
– Que tenha um vizinho de vinte anos.
Boas fotos.

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Sentes-te um rebelde? Pensa melhor!

Nós éramos rebeldes, agora somos consumidores . (Andy W.)

FAZES surf, tens tatuagens, faltas ás aulas e bebes uns copos? Não alinhas em tangas, estás a cagar para os papás, fumas umas merdas esquisitas e és menino para partir qualquer coisa, durante ou depois de um concerto? Parabéns, encaixas no arquétipo do “Rebelde”. Ou melhor, parabéns otário, porque encaixas no perfil do falso rebelde criado pelos governos e pela comunicação social de há umas dezenas de anos a esta parte. Por outras palavras, criou-se a imagem do rebelde como uma personagem de desenhos animados que simplesmente não aceita a “boa vida” da vida burguesa. Quem fez isto muito bem foi Hollywood, com Marlon Brando a liderar um grupo de motoqueiros idiotas, ou com James Dean, que tinha a mesma dificuldade que Brando em alinhar duas frases coerentes, a atirar-se de carro de um penhasco, apenas porque o papá não o compreendia. Isto foi feito propositadamente para tornar o rebelde ridículo, mas com uma atitude. O que importava mesmo era a imagem. Foi feito com o objectivo de esvaziar as tentativas de rebelião genuína e poderosa. No fundo era desacreditar o individual, em favor do grupo. O verdadeiro rebelde é por definição contra qualquer tipo de “programação”. Um rebelde promovido pelo cinema, pela publicidade, ou pela musica, não é rebelde coisa nenhuma. É rebeldia usar tatuagens? Pois bem, então não usa. É rebeldia andar de moto? Pois bem, anda de bicicleta. É rebeldia praticar surf? Pois então joga xadrez. É rebeldia jogar xadrez? Então pratica surf. E por aí fora. A verdadeira rebelião é contra a programação que o estado, a publicidade, o cinema, a musica, e outros, querem implementar na tua cabeça. O verdadeiro rebelde pensa pela própria cabeça. Desde que a consiga encontrar, é claro. Boas ondas.

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O judeu e o preto.

“É vergonhoso corrigir os vícios, imitando-os.” (Séneca)

O Alfredo, que serve os copos ao Rodrigo Pompeu, num bar muito frequentado pela malta do surf, é o Alfredo Prazeiroso, um barman encartado, e mais do que reformado, (deve ter setentas e muitos), que já andou pelas sete partidas do mundo, e tem historias para contar que nunca mais acabam. Tem histórias de todo o género e feitio, de gajas, de gays, de pretos, de amarelos, de judeus, de árabes, racistas, anti-racistas, enfim, é uma autentica enciclopédia de anedotas. A ultima que contou sobre racismo, não é politicamente correcta, (mas este blogue também não é politicamente correcto) e era assim; um dia, em que trabalhava num bar em Nova York, por volta de 1967, estava de serviço ao balcão juntamente com um negro enorme, que tinha fama de nunca se irritar. Entretanto, entra no bar um judeu americano, chega ao balcão e diz:
– Tira-me uma cerveja, preto de merda.
Alfredo ficou gelado ao pensar na reacção do seu colega.
– Porque me chamas preto de merda? Pergunta-lhe o negro sem se irritar. Não te conheço de lado nenhum, nem te fiz mal. Ao menos podias ser educado e não me chamares preto. O judeu, encolhe os ombros e insiste na cerveja, e bem depressa. O negro que além de paciente, tinha uma veia pedagógica propôs uma experiência ao judeu.
-Se queres saber o que senti quando me chamaste preto de merda, vem para aqui, para trás do balcão, para o meu lugar por um momento, e vais ver.
O judeu concordou, e foi para trás do balcão. O negro sai por um momento, volta a entrar no bar, aproxima-se do balcão e diz ao judeu:
– Dá-me uma cerveja , judeu de merda.
– Não dou, não – diz-lhe o judeu. – Aqui não servimos pretos.
Boas ondas.

 

Para onde vão os golfinhos?

“A natureza não faz nada em vão. (Aristoteles)

ISTO não é tanga, é um facto absolutamente incrível. Um enorme aglomerado de golfinhos, crê-se que mais de 100.000, nadando juntos numa área com 7 km de comprimento e 5 km de largura, está por estes dias a passar ao largo de S. Diego na California. É o maior grupo de golfinhos que alguma vez foi visto. Sendo animais sociais e extremamente inteligentes, as perguntas que se colocam são as seguintes – onde é que vai esta malta toda? Sabem eles alguma coisa que nós desconhecemos? Como os especialistas são incapazes de apontar qualquer razão especifica para este comportamento, surgiram já várias teorias. Ou pressentiram um mega terramoto e estão em movimento, ou são as mudanças no campo magnético da terra, ou contaminação radioativa generalizada a partir de Fukushima, ou ainda, podem ser os sonares dos navios da marinha de guerra americana, já que em S. Diego existe a maior base naval da costa oeste, e uma das maiores do mundo. Seja lá aquilo que for, algo está errado neste comportamento. Como gostamos de manter os leitores informados, fomos perguntar a opinião ao maior especialista em mamíferos que conhecemos. O Rodrigo Pompeu, especialista, porque passou os últimos quarenta anos a mamar no gargalo de uma Jack Daniels. Entre um copo e outro, ele deu-nos a sua teoria; ó pá, aquilo não é nada de especial, é uma discussão parlamentar que os golfinhos estão a ter, para decidir o que fazer com essa subespécie que dá pelo nome de ser humano! Depois virou-se para o balcão e berrou; – ó Alfredo… traz lá outro Jack que vem aí os golfinhos, daaa—see! Boas ondas.

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O surfista virtual

“Na verdade, a imaginação não passa de um modo da memória, emancipado da ordem do tempo e do espaço.” (Samuel Taylor Coleridge)

António Tábua Rasa, tinha problemas de agorafobia desde muito jovem, problemas esses, que se foram agravando, até ao ponto de praticamente o impediram de sair de casa, por isso, resolveu a sua paixão pelo surf, tornando-se num surfista virtual, alguém que pratica surf no seu próprio quarto. Cercou-se de uma série de objectos que lhe poderiam proporcionar a melhor sensação do surf, a adrenalina. Pendurou nas paredes vários pósteres com magnificas praias, emoldurou calendários de competições, encheu um aquário com peixes, e algas marinhas, pendurou uma gaivota empalhada no teto, comprou algumas pranchas de surf, com cores e tamanhos variados, arranjou ainda uma caixa de areia, e uma lata cheia de piche e, com a ajuda de todos estes acessórios, pode começar a surfar sem ter que por os pés na praia. Pegava numa prancha, punha-a em cima da cama, virava-se para o póster de uma praia e começava a fazer manobras. Conseguiu assim, começar a usufruir dos aspectos positivos de uma sessão de surf, sem ter que passar pelos inconvenientes da mesma. Quando lhe falaram em vídeos, e em ecrãs de plasma, recusou, porque isso era demasiado tecnológico para o seu gosto. Também chegou á conclusão que a imaginação era capaz de proporcionar um substituto mais do que adequado á realidade vulgar de uma experiência vivida na praia. Conseguiu eliminar a ansiedade provocada pela agorafobia, podendo apreciar a experiência estética sem ficar á mercê das exigências físicas e psicológicas que a pratica do surf acarreta. Como dizia o outro, o que é preciso é ter imaginação. Agora vou ali meter a minha nave espacial na garagem, e já volto. Boas ondas.

 

A day at the beach 12

Cuidado com o que comes, podes transformar-te num idiota.

“A fome não é exigente: basta contentá-la; como, não importa.” (Sêneca)

CONHECES aquela velha máxima, de que somos o que comemos? Pois, parece que é mais verdade do que nunca. Ser surfista, (ou qualquer outra coisa), e saudável, não depende só do exercício físico, mas também, e muito, daquilo que ingeres. Não, não precisas de te transformar em vegetariano, ou só comer comida macrobiótica. Tens é de ter uma dieta rica em nutrientes, incluindo frutas e verduras, como os vegetais convencionais. Podes comer o que quiseres, desde que devidamente cozinhado, e que fujas da Junk Food, como o diabo da cruz. A comida sinteticamente processada, e geneticamente modificada, tem uma conexão directa com as deficiências cognitivas, e está a contribuir para aceleração da estupidez humana. Apesar dos avanços tecnológicos, nas ultimas dezenas de anos, os seres humanos estão a perder capacidades cognitivas, e a tornarem-se mais instáveis emocionalmente. Não sou eu que o digo, são vários cientistas, baseados numa série de estudos. E porque é que estou a escrever sobre isto? Ora, porque não tinha tema, e não me lembrei de mais nada. Deve ser dos bifes com carne de cavalo. Boas ondas.

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Não cais por acaso!

“Se achas que a educação é cara, têm a coragem de experimentar a ignorância.”
(Derek Bok)

NÃO vou falar aqui de física quântica, ou melhor, até vou, mas é só um bocadinho, para justificar o titulo deste texto, e a verdade é que, quando estás a surfar, e cais, não cais por acaso, e também não cais só por falta de jeito, ou por distração. Cais por causa das leis da física. Também, perdes a melhor onda pelo mesmo motivo. A física explica isso lindamente, quando diz que a Função de Onda, também chamada Equação de Schroedinger, é a descrição matemática de todos os estados prováveis de determinado objecto ou sistema físico. Resumindo; podes imaginar isto como um baralho, onde cada carta corresponde a um estado quântico não observado. Como o baralho possui 52 possíveis configurações de estado, a Função de Onda descreve-o como possuindo 52 cristas ou depressões. Como a Função de Onda é completamente determinista, habitando numa dimensão completamente abstrata, o principio determina o fim. O que é que tudo isto quer dizer? Quer dizer que, no surf, além de trabalhares o teu sentido de equilíbrio, a tua forma física, e a tua remada, tens de apurar o teu sentido de observação, os reflexos, tempo de resposta e colocação. Saber apanhar a onda no momento exacto, é uma arte que determina o sucesso, ou o fracasso, da “cavalgada”. Perceber a sucessão das cristas, e das depressões, também ajuda a melhorares a coordenação do teu surf. Quero dizer com tudo isto, que precisas de ser um cientista para seres bom surfista?Não, mas talvez não seja má ideia estares com mais atenção nas próximas aulas de física. Podem ajudar-te a melhorares o teu equilíbrio. Boas ondas.

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