E a merda cairá do céu.

“Não acredite em extraterrestres. Eles são muito mentirosos.” (V.B.)

O Arnaldo Vilas Boas estava no bar do Alfredo, a conversar com o Pompeu sobre extraterrestres, dizia o Arnaldo:
– Meu caro Pompeu, podes acreditar que neste momento, e de de há muitos anos a esta parte, se trava uma guerra no espaço que rodeia a Terra, pela posse deste planeta…
– E quem é que trava essa guerra?
– Claro que não são os surfistas, mas várias espécies de extraterrestres, umas mais amigáveis do que outras.
– Estás a gozar, não estás?
– Não, e podes crer que não tardará muito para aparecer o “Salvador do Mundo” vindo de outro planeta, e que se apresentará como o Salvador da Humanidade.
– Ò pá, olha que da maneira que isto está, isso nem era mau de todo…
– Pois é, mas o problema é que depois de alguns anos de reformas aparentemente positivas, e com soluções brilhantes para os problemas ecológicos e económicos que assolam a humanidade, e, em que será visto como o novo messias, ele transformar-se-á numa maquina assassina.
– Agora é que eu digo, estás a gozar não estás?
– De todo, a ideia é levar a cabo uma regeneração da humanidade transformando-nos em escravos, ao serviço dos alienígenas. Quem não servir para escravo, será simplesmente eliminado. Aliás, os problemas económicos, e ecológicos que assolam o mundo, são um dos primeiros passos desse plano. O que é que tens a dizer sobre isto?
– Alfredoooooooooo!!!!!!! Sai mais um whisky…
Boas ondas.

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O Sócrates quer ir ao Cãopeonato de Surf.

“Os cães nunca me mordem. Só os humanos.” (Marilyn Monroe)

O Chico Trambulhas cometeu um erro crasso, entrou no bar do Alfredo á hora que o Sócrates, o pastor alemão do Alfredo estava a comer o seu bife da ordem, vinha com um jornal na mão e não perdeu tempo, gritou para o Alfredo:
– Alfredo, tens que inscrever o Sócrates no Cãopeonato de surf…
O Sócrates arrebitou as orelhas, e emitiu um daqueles latidos que costumam abanar o bar todo. Como a dizer que concordava.
O Alfredo ficou fulo, e disse: – Mas ó Chico, que merda é essa de estares a meter ideias parvas na cabeça do Sócrates? Eu tenho lá tempo para isso…
– Sabes bem que o Sócrates é um craque a surfar, só tens que o inscrever e cumprir o regulamento. Ele ganha aquilo de caras.
– Já disse que não.
– O Sócrates voltou a ladrar bem alto.
– Mas ó Alfredo, o dinheiro das inscrições reverte totalmente a favor de uma associação de protecção de animais. Tu gostas de animais, ou não?
– Claro que gosto, mas isso não tem nada a ver. Ora mostra lá o jornal para eu ver o regulamento.
O Chico entregou-lhe o jornal. O Alfredo pegou no jornal e começou a ler o artigo, até que chegou a um ponto e parou, háhá…
– Háhá, o quê? Perguntou o Chico, sob o olhar atento do Sócrates.
– Diz aqui, que as inscrições estão vedadas a cães de raça potencialmente perigosa, e como tu sabes o Sócrates não é propriamente um caniche. Por isso nada feito.
Disse esta ultima frase virado para o Sócrates. O pastor alemão olhou para ele, levantou a pata e mandou uma mijadela contra a esquina do balcão, a seguir virou-lhes as costas e saiu do bar com um ar indignado (a pensar com os seus botões), “sou perigoso, mas sou sensível”. Boas ondas.

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Hoje não tenho tempo para parvoíces!

“Os dias talvez sejam iguais para um relógio, mas não para um homem.” (Marcel Proust)

HOJE passei a correr aqui pelo blogue, não tenho tempo para escrever nada em condições, se é que alguma vez escrevi algo que se aproveitasse, bom mas isso não interessa para nada, como diz a outra. Na realidade não há como usar bem o tempo, se não tivermos consciência de que ele é um bem precioso, e eliminarmos as falsas “prioridades” na nossa agenda pessoal. O filósofo romano Séneca escreveu que a vida não é curta, mas pode parecer que não é suficientemente longa, se perdermos demasiado tempo com assuntos pequenos. Por isso fico-me por aqui, que tenho coisas mais importantes para fazer, vou levar a mulher ás compras, e já volto. Boas ondas.

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As iludencias aparudem.

“Qualquer que seja a aparência da novidade, eu não mudo facilmente, com medo de perder com a troca.” (Michel de Montaigne)

EMBORA seja um trocadalho do carilho, é bem verdade, as aparências iludem, e um dos motivos por que tantas vezes não compreendemos as pessoas é porque, quando as conhecemos, confundimos as suas más qualidades com as boas ou vice-versa. Ou seja, cada boa qualidade humana está relacionada com uma má, na qual parece transformar-se, e cada má qualidade está, de uma forma semelhante, relacionada com uma boa. O Dr. Pardal e o Pompeu estavam a conversar sobre isto, dizia o Pompeu:
– Por exemplo, olha o Chico Trambulhas, se não fosse tão cobarde, podia ter sido campeão regional de surf, ou mesmo nacional e quem sabe até internacional…
– Estás a ver como estás enganado, o Chico não era cobarde, era, e é, um rapaz prudente…
– Cobarde…
– Prudente…
– Bom, passemos á frente, olha o Moisés Pechincha, é, ou não é, um grande avarento como na realidade parece?
– Avarento ou poupado? O Moisés parece-me ser na realidade um tipo muito poupado!
– Ò pá não me lixes, mais avarento que aquilo só o Tio Patinhas…
– Olha outro, o David Lousa, o nosso amigo Playboy, e meio arruinado, era ou não era um perdulário, um gastador inveterado?
– Para mim, o David era um liberal que não olhava para o dinheiro como a gente olha…
– Então, diz-me lá, na tua opinião o Zé Bodes é um tipo grosseiro, franco e directo, ou apenas um sujeito imprudente cheio de papo e falsa autoconfiança?
– Essa é mais difícil de responder, mas podes perguntar-lhe directamente ele vem aí, quero ver a tua lata…
– Não há problema…
– Então pessoal está tudo bem? Perguntou o Zé Bodes.
– Tudo Zé, olha tu…, bom, deixa lá, vai uma bjeca?
Boas ondas.
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O monólogo do Playboy falhado.

“Existem três coisas que os homens podem fazer com as mulheres: amá-las, sofrer por elas, ou torná-las literatura.” (Stephen Stills)

O Pompeu estava como de costume, sentado no balcão do bar do Alfredo, a discursar para o fundo de um copo de Jack Daniels. Fazia de conta que falava para o Alfredo, mas na realidade falava para ele mesmo. O monólogo que se seguiu foi este:

– A verdade é que nunca comi ninguém pela minha inteligência; se quero comer uma gaja tenho de fazer de conta que sou idiota para ela me prestar atenção, e essa merda tira-me do sério…

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– Pois é, no outro dia vi uma mulatinha na praia e resolvi meter paleio com ela, quando fiz um simples elogio, e lhe disse que ela era bonita, mandou-me apanhar no cu.

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– Deve ter sido por usar barba…

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– Mas aonde é que vamos parar? A um mundo lésbico? Onde todos os homens são metro e acéfalos? Onde as mulheres só gostam de imbecis?

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– Será mesmo que as mulheres acreditam naquilo que os boçais e os metros dizem, ou realmente só gostam de imbecis?

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– Devo dizer que amo as mulheres, amo de verdade, não só as ratas, os rabos e as mamas, mas todo o ser, as suas manias e os seus mistérios.

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– Mas penso que se as mulheres passassem a escolher os seus parceiros pelo seu intelecto e não pela carteira, ou pela capacidade de fazer piadas sem graça nenhuma, os homens acabavam por se esforçar para adquirir mais conhecimento e educação.

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– Elas não percebem que o homem faz tudo pela mulher, trabalha pela mulher, enriquece pela mulher, vive para a mulher e chega a moldar o seu caracter devido á mulher…

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Toca o telefone do bar, o Alfredo atende, e vira-se para o Pompeu:

– Pompeu… É a tua ex-mulher…

– Diz-lhe que já saí…

Boas ondas.

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Fotos do Bar do Alfredo

“Há enganos tão bem elaborados que seria estupidez não ser enganado por eles.”
(Charles Colton)

COMO existem alguns leitores que duvidam da existência do bar do Alfredo, resolvemos pedir ao dito cujo que nos enviasse duas fotos para colocar aqui no blogue, uma do balcão e outra do famoso mural sobre o Inferno de Dante. Aqui estão elas, se são genuínas não sabemos, mas a responsabilidade não é nossa. A morada deste bar é que não podemos revelar por vontade expressa do Alfredo, porque, diz o mesmo que, já tem malucos que chegue para aturar. Boas ondas.

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Do outro mundo!

“Os humanos pensam como humanos, se fossem extraterrestres, pensavam como extraterrestres.” (Vanelkian)

O bar do Alfredo estava em polvorosa, e não era caso para menos, o Arnaldo Vilas Boas tinha regressado das suas aventuras na América do Sul, por onde tinha andando na sua busca constante de OVNIS. Fazia parte de uma organização internacional, que se dedicava a pesquisar acontecimentos estranhos envolvendo potenciais extraterrestres. Estava a contar as suas histórias passadas no Brasil, mas estava constantemente a ser interrompido, pelo Inocêncio, mais conhecido por Inocêncio Coitadinho, um ex-padre e actual beato, que era um católico fervoroso, e passava a vida a ser gozado no bar do Alfredo, porque só bebia copos de leite gelado, ou água das pedras. Dizia o Inocêncio:
– Ò Arnaldo, isso são tudo fantasias, não existem extraterrestres nenhuns, é tudo balelas…
– Olha Inocêncio, não só existem, como vivem entre nós há muito tempo, alguns deles até podem ser surfistas…
– Estás a gozar comigo!
– Não estou nada, e digo-te mais, existe um protocolo com uma série de perguntas, para detectar se um indivíduo que se julga humano, não é na realidade um ET…
– Vai gozar com outro!
– Não estou a gozar, ora responde-me lá a estas cinco perguntas, se responderes positivo pelo menos a três, tens todas as possibilidades de ser descendente de um ET, ou de ter sido abduzido por alguns…
– Abdu quê? Ok, pergunta lá…
– Já sonhastes que fostes submetido a operações cirúrgicas um bocado estranhas?
– Não!
– Já sofreste alguma vez de depressão severa?
– Severa, severa, não, já estive ligeiramente deprimido, mas nada de especial.
– Tens algum quisto sacro coccígeo?
– Por acaso já tive…
– O teu sangue é RH negativo?
– Por acaso é…
– Tens uma cicatriz em cada canela, que parece feita por um cigarro aceso?
– Foda-se…
Foi o primeiro palavrão que alguém ouviu ao Inocêncio, e a ultima coisa que disse, antes de desmaiar, e cair para trás, direito como uma tábua.
Boas ondas.

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Afinal o que é o surf?

“O mar cria ilusões, a onda as questões, o surf as respostas.” (Breno Rigaud)

COMO o bar do Alfredo é muito frequentado pelos surfistas, este resolveu fazer uma espécie de concurso de ideias. Uma coisa simples, o autor da frase que definisse melhor o surf, os seus praticantes, e o seu espirito, podia beber uma semana de borla. As frases eram escritas no papel timbrado da casa, assinadas, e colocadas num quadro perto do balcão. Ganhava a que fosse mais votada pelos clientes durante uma semana. Não fazemos ideia se as frases são originais, ou se os seus autores as copiaram de algum lado, mas como diz a outra “isso agora não interessa nada”. Eis algumas das frases concorrentes…

1ª – “O surf é o desenvolvimento da alegria pelo corpo, surfar é criar movimento!” (Chico Trambulhas)

2ª – “Um bom surfista, é aquele que realiza facilmente o seu movimento coordenado com o tempo da onda!” (Pedro P. Fina)

3ª – “O surf é um movimento liquido que encontra a vaga no seu elemento: ele é a natureza com a natureza!” (João Teodoro)

4ª – “A onda é o acaso do surfista, como o tubo é para ele a experiência da transcendência!”
(Rodrigo Pompeu)

5ª – “O surf é a vida em vibração e sensações cósmicas. O oceano é o livro do surfista, a sua prancha uma caneta, e cada onda um poema”.
(António Tábua Rasa)

Se quiser, também pode deixar o seu voto aqui no blogue, embora isso não conte para nada, mas afinal, nesta vida, o que é que conta para alguma coisa? Boas ondas.

 

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Já morri, e ninguém me avisou!

“Se pudesse viver novamente, na próxima vida tentaria cometer mais erros. ”
(Jorge Luis Borges)

ALGUNS leitores do blogue, reclamam que ele (o dito blogue), é muito mal educado, é só palavrões e asneiras. Embora tenha algumas ideias interessantes (mas poucochinhas), no geral é muito escatológico. Quero esclarecer esses leitores em dois pontos, primeiro que sou contras os palavrões usados aleatoriamente, uma caralhada deve ser usada no momento exacto, ora foda-se. Segundo, descobri que já morri e ninguém me avisou, e descobri isso quando estava a ler a “Estrada Real” do André Malraux em que ele diz: “- A verdadeira morte, é a decadência. É tão mais grave, envelhecer ! Aceitarmos o nosso destino, a nossa função, a casota de cão erguida na nossa vida única… Não se sabe o que é a morte quando se é novo…”. Ora, já não sou novo, estou a envelhecer, já aceitei o meu destino e não tenho uma casota de cão na minha vida, mas tenho cinco cães que me dão água pela barba. Assim, mais decadente do que isto não posso estar, por isso, devo estar mais do que morto. Só não estou é enterrado. Perante isto, digo os disparates que me derem na real gana, os surfistas que não gostarem, tem sempre a opção de lerem o blogue daquela loira bimba, e apresentadora da TVI, que deve ser muito mais interessante do que este. Boas ondas.

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Fogo no cu!

“O jovem tem todos os defeitos do adulto e mais um: – o da imaturidade. ”
(Nelson Rodrigues)

O Dr. Pardal estava sentado ao balcão do bar do Alfredo, já com uns copos valentes, a conversar com o Hugo Tocagaita que por estes dias andava muito infeliz. Desgostos de amor, dizia-se á boca pequena.
– Doutor, sou um infeliz, estou apaixonado por um surfista maravilhosooooo, mas ele só me quer como amigo, o que é que eu faço? Perguntou o Hugo.
– Meu rapaz, uma das razões da infelicidade dos jovens, é estarem convencidos que a felicidade, a bem ou a mal, vai fazer parte da sua vida. È um erro tremendo.
– Então doutor, não temos direito a ser felizes, ou pelo menos a sonhar com isso?
– Lé ter, tens, mas o que resulta daí é uma esperança vã, sempre frustrada, que dá origem ao descontentamento e á infelicidade.
– Sendo assim, o que devo fazer?
– Nada, faz parte da juventude estar sempre, ou quase sempre, descontentes com a nossa situação e com o nosso ambiente, não importa quais sejam.
– Bolas, e eu a pensar que o mal era meu!
– Não é, e dou-te um conselho, perde a ilusão de que há muito a encontrar neste mundo. Porque não há!
– Doutor não diga isso, faz-me sentir velho e inútil…
– Hugo, meu amigo, tira o cavalo da chuva, mas a tua vida não vai com certeza, ser um romance interessante.
– Ó homem, você só me dá desgostos.
– Eu? Pensei que era o surfista maravilhosooooo, que te estava a estragar a vida.
– Fonix, que um homem já não pode sonhar…
– Meu querido, quem te dera, para ti, o sonho é sempre melhor do que a realidade…
– Então porquê?
– Não ficas com o cu tão dorido…
Boas ondas.

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