Coragem ou estupidez?

“O homem que teme o sofrimento já está sofrendo pelo que teme.

(Michel de Montaigne)

NO bar do Alfredo, sentados na esplanada, e a beber uns copos, estavam á conversa o Chico Trambulhas, o nosso surfista (meio) reformado, e o grande filosofo Rodrigo Pompeu. A conversa girava á volta da coragem, ou da falta dela. O Pompeu afirmava que, a linha que separa a coragem da estupidez, é mesmo muito fininha. O Chico rebatia dizendo que, coragem é coragem, e estupidez é isso mesmo, estupidez. O Pompeu retorquiu:
– Ò Chico não digas asneiras, o soldado que vai para a guerra, está convencido que tem diante de si um espaço de tempo praticamente infinito, antes que o matem. O ladrão a mesma coisa, julga que terá imenso tempo á sua frente, antes que o prendam.
– Mas um surfista sabe quando está a ser corajoso, e quando está a ser estúpido!
– Isso julgas tu. A crença na “imortalidade” é o amuleto que preserva os indivíduos, não do perigo, mas do medo ao perigo. É por isso que o desafiam em certos casos, isto, sem que sejam necessariamente bravos, ou corajosos.
– Achas mesmo?
– Tenho a certeza, se os surfistas soubessem realmente o perigo que correm, ou podem correr, podes crer que nem dez por cento metia a prancha na água.
– Ò Pompeu, és cá um cagarola! Tens medo de tudo e mais alguma coisa.
-Eu?
– Sim tu, mas deixa lá isso, vai mais uma bjeca?
– Ó pá, não sei, já bebi muito, tenho medo que me faça mal ao fígado!
Boas ondas.
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