Angelina Paranóia Jolie.

“Come pouco ao almoço e menos ainda ao jantar, que a saúde de todo o corpo constrói-se na oficina do estômago.” (Miguel de Cervantes)

ESTOU farto de dizer que está tudo louco, mas a realidade faz questão de não me desmentir. Esta cena tenebrosa da Angelina Jolie é de arrepiar o mais sereno. Vamos lá a ver se eu me explico. A actriz foi pura e simplesmente enganada pelos médicos, e convencida a fazer uma auto-mutilação, para combater um cancro da mama que ela nunca teve. Ora, as mamas são dela, e faz delas o que quiser, pode dar de mamar ao Brad Pitt, ou aos putos que adoptou, tanto faz. Agora, o que ela não pode fazer, é vir para o jornal New York Times, explicar a sua decisão de ter os dois seios removidos, porque os médicos disseram que ela tinha um risco de 87% de contrair cancro de mama. Ou seja, ela não tinha cancro da mama, mas, poderia ver a ter. Vai daí, faz uma auto-mutilação para prevenir um cancro que nunca teve, contrariando um dos princípios básicos da medicina, que é o de não submeter pacientes a riscos consideráveis, e aos custos físicos e psíquicos de uma cirurgia, para remover órgãos que não tem doença nenhuma. No caso dela, passou por três meses de procedimentos cirúrgicos, acabando com os seios cortados.

E porque é que não pode vir fazer publicidade desta sua decisão? Porque está a induzir milhões de mulheres a adoptar o mesmo procedimento, o que é um erro colossal. E é um erro colossal, porque se toda a gente seguir esta lógica bizarra, de “mais vale prevenir do que remediar”, então porque que não cortar os tintins ao Brad Pitt, ou a qualquer outro homem, para prevenir o “cancro dos testículos”, mesmo não existindo nenhum problema com os ditos, ou tirar uns metros de intestinos a alguém para prevenir o “cancro colorretal”, ainda que a pessoa não tenha nenhuma má relação com a sanita? Ter medo de alguma coisa, é, por vezes, muito pior, do que o mal que essa mesma coisa nos pode causar. Temos uma unha encravada no pé? Há que amputar a perna abaixo do joelho, porque a unha pode infectar, o pé gangrenar, e a necrose chegar até á virilha. Enfim, a paranóia pode levar-nos até ao fim do mundo, e mesmo para além dele. Já agora, o que teria acontecido, se Angelina Jolie tivesse descoberto que tinha 87% de risco de contrair um cancro no cérebro? Cortava a cabeça, e proclamava que estava curada com uma cirurgia preventiva? Acrescente-se que mesmo assim, Angelina não tem a sua paranóia completamente resolvida, porque, segundo os mesmo médicos, ainda tem um risco de 5%, e nós sabemos como, por vezes, cinco tipos estouvados, podem estragar a festa a noventa e cinco indivíduos bem comportados.

MAS o mais triste desta história toda, não é o caso especifico da actriz, mas é a ideia generalizada, que se pretende vender ás mulheres, de que, o cancro da mama (e outros) pode ser controlado através das estatísticas, e das percentagens. Os médicos (ou alguns médicos), estão pura, e simplesmente, a usar o medo das mulheres, e das pessoas em geral, para promover tratamentos, e cirurgias, muitas vezes desnecessárias, e que visam única, e exclusivamente, o lucro. Minhas caras amigas, as mamas (e o resto) são vossas, e vocês, fazem delas o que quiserem, e eu, não tenho nada a a ver com isso, mas (existe sempre um mas), lembrem-se de um pequeno pormenor, toda a gente tem cancro, ou melhor, tem micro-tumores nos seus corpos, comigo incluído. Podem evoluir ou não, mas essa certeza no cagar, de 87%, e porque não 83%, ou 81%, é uma manipulação estatística cientificamente impossível de comprovar ao contrário do que os médicos querem fazer querer. O cancro não é uma doença que você acabou de apanhar, como se fosse atingida por um raio na cabeça. Está ligado ao estilo de vida, ao dia a dia, ás refeições, àquilo que se ingere, e mais importante ainda, àquilo que se evita ingerir. Como já disse as mamas são suas, e a cabeça também, ou deveria ser, pense com ela e não com a dos outros, e lembre-se deste pequeno pormenor, a Angelina Jolie correu um risco maior, de morrer na mesa da operações, do que morrer de cancro da mama. Não vá em conversas, um gene não é uma sentença de morte. Por muito que os jornais, e televisões, o queiram transformar em tal. Boas fotos. OPV

PS – Observação a quem possa interessar (ou seja, ninguém!), normalmente mantenho estanques os meus blogues, mas como este é um assunto bastante sério, resolvi publicar também no Surfnoia, este poste que já coloquei noutro blogue que administro. O texto é exactamente o mesmo, com uma pequena deixa, e se fosse 49%, cortava, ou não cortava? E a ideia também, que é, pensa pela tua cabeça, e muito bem, antes de resolveres amputar alguma parte do teu corpo. Boas ondas.

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