O grunho, a nova maré negra das praias portuguesas.

“O problema não é o problema – o problema é a atitude com relação ao problema.”
(Kelly Young)

O Adolfo de Paiva estava sentado na esplanada do bar, a escrever um artigo sobre a praia, que iria ser publicado no jornal local. Estava furioso porque, tinha sido obrigado a sair da praia por causa das boladas que levou de um grupo de grunhos. O Pedro P. Fina sentou-se na mesma mesa, e iniciou a conversa:
– Mais um artigo Adolfo?
– É verdade Pedro, desta vez é sobre a praia…
– Sobre os surfistas?
– Quem dera Pedro, mas não, é sobre os grunhos, essa praga que empesta qualquer praia do país.
– Grunhos?
– Sim, grunhos, esse novo tipo de “Homopraista” que muitas vezes vem acompanhado da “Mulherpraista”. São incultos e broncos, mas cheios de auto-confiança, chegam á praia e é como se estivessem em casa, aquilo é tudo deles. Sabes qual é o objecto que identifica automaticamente um grunho?
– Um guarda sol?
-Hehehe… essa é boa, mas não! É uma bola! Grunho, que é grunho, nunca vai para a praia sem levar uma bola…
– Então, e o pessoal do volei de praia?
– Isso é outro assunto, esse pessoal joga a bola nos sítios indicados para isso, e não sobre quem está mais perto. Além disso, sabem jogar.
– Isso é verdade…
– Os grunhos não, é uma malta que descende dos broncos, no entanto, não são todos iguais, não tem uma identidade colectiva, tanto podem ser uns tonhos barulhentos e insuportáveis, como uns javardos com roupas de marca.
– Concordo…
– Tanto pode ser um gajo da cidade, como dos arrabaldes, tanto pode parecer um betinho, como um gajo do tuning com o cabelo trabalhado com gel. Pode estar disfarçado num grupo de adolescentes, como pode ser um pai de família carregado com uma lancheira.
– Estou a ver que estás mesmo traumatizado…
– Podes acreditar. O grunho na praia está sempre a jogar futebol, voleibol ou raquetes, e grita para caralho. Usa tanga, sunga ou daqueles calções enormes, á surfista, que se vê logo que não foram feitos para ele.
– Isso vai dar um grande artigo…
– Não sei se vai, mas ficas a saber duas coisas. Primeira – a grunhice é estranha aos próprios grunhos que acham que são o máximo. Para o grunho, as palavras civismo e educação, são chinês. Segunda – quando vires um gajo chegar á praia com uma bola, pira-te logo para o mais longe que puderes, ou vai-te mesmo embora, porque na prática acabou-se o sossego. O grunho é a nova maré negra das praias portuguesas. Tenho dito!
Boas ondas.

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