De férias para Copacabana.

“Estou saindo de férias, volto assim que me encontrar.” (Martha Medeiros)

Como toda a gente sabe a vida em Portugal está difícil, por isso, o surfnoia vai de férias para Copacabana, mas não pensem que é só praia e trabalhar para o bronze, não senhor, o surfnoia comprou um detector de metais e uma pazinha, e vai para a praia de Copacabana á procura de ouro. No mínimo, de umas moedinhas, mas há sempre a esperança de encontrar um cordão, ou uma pulseira do nobre metal. Afinal, com três milhões de camelos a dormir, e a rezar na praia, alguma coisa se há-de ter perdido e alguma coisa se há-de encontrar. Haja fé como diz o Chico. Se houver muitos pedidos (basta um) nesse sentido, pode ser que se escrevam algumas crónicas a partir da cidade maravilhosa. Se não, até Setembro, se deus, e, o papa quiser. Boas ondas.

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Puta cara.

“Esse privilégio de sentir-se em casa em qualquer lugar pertence apenas aos reis, às prostitutas e aos ladrões.” (Honoré de Balzac)

No restaurante da Maria Panela, o Pompeu jantava sozinho. Na mesa ao lado, estava uma loira espampanante, também sozinha. A certa altura o Pompeu levanta-se, inclina-se para ela e pede-lhe delicadamente:
— Dá-me licença que leve o ketchup?
— O quê? Não tem vergonha do que me está a propor! — grita a jovem. — O senhor não tem decência?
Todo o restaurante se vira para eles. O Pompeu vermelho como um tomate, balbucia:
— A senhora compreendeu mal. Eu apenas lhe pedi o ketchup…
— Nunca vi uma lata como a sua! O senhor é um ordinário!
O Pompeu volta para o lugar, observado severamente por toda a gente, principalmente pela Maria Panela. Entretanto, a mulher paga a sua despesa, vai à mesa dele e diz em voz baixa:
— O senhor desculpe a minha atitude. Eu explico. Sou socióloga e estou a preparar uma tese sobre as reacções dos homens perante uma situação embaraçosa na presença de público…
É a altura de o Pompeu gritar: — O quê? Duzentos euros mais hotel?! Você não vale metade!
Boas ondas.

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Surfista de bancada.

“De tanto se repetir uma mentira, ela acaba se transformando em verdade.”
(Joseph Goebbels)

O Chico Trambulhas entrou no bar do Alfredo, dirigiu-se ao balcão, e disse para quem o quis ouvir:
– Grandes ondas, fiz dez “tail slides” e cinco “tubos”…
– Eu tive melhor sorte, fiz vinte “tail slides” e dez “tubos” disse o Ziggy que estava sentado ao balcão.
– O Chico olhou para o Ziggy muito espantado e perguntou:
– Também és surfista?
– Não! Também sou mentiroso!
Boas ondas.

Joseph Goebbels TM logo

Joseph Goebbels TM logo (Photo credit: Wikipedia)

Ziggy, o anti-surfista.

“O problema não é o problema – o problema é a atitude com relação ao problema.” (Kelly Young)

O Ziggy é uma personagem de se lhe tirar o chapéu, e ainda não tinha aparecido nestas crónicas. Moreno, de estatura mediana, parece um sósia do Robert Smith, o vocalista dos The Cure. Talvez seja ainda mais louco, e tenha o cabelo ligeiramente mais curto, mas não deixa de parecer que transporta um ninho de cucos sobre a cabeça. A grande diferença é que o Ziggy gosta de rock, e de sol, e sempre que pode não perde uma boa praia. Uma coisa que não suporta é surfistas, que considera uma verdadeira praga. Uma autentica maré negra de gajos (e gajas) vestidos de pinguim, como ele costuma dizer. O Ziggy entrou no bar do Alfredo dirigiu-se ao balcão que estava cheio e cumprimentou:
– Boa noite para todos menos para um…
O pessoal entreolhou-se e o Alfredo não resistiu a perguntar:
– Boa noite Ziggy, mas quem é esse um que não merece as boas noites?
– Quem é que haveria de ser? É o artolas do surfista! E apontou com a cabeça para o Pedro P. Fina que se encontrava ao balcão.
– Mas que mal é que ele te fez, se está aqui muito sossegado a beber o seu copo?
– Ele não fez nenhum, mas a tribo dele está a tornar a praia impossível…
– Então porquê?
– Ó pá, então não é que hoje de manhã estava a dormitar na minha toalha depois de ter fumado o meu charro matinal, quando acordei com um cheiro a borracha insuportável e um tipo a berrar feito desalmado…
– E o que era?
– Era um instrutor a dar uma aula a um grupo de pretensos surfistas, mesmo ao meu lado.
– Não estarás a exagerar?
– Não pá, não estou, olhei para o mar e havia mais “surfistas” do que ondas, e os pais, as mães, os tios os primos toda a gente a tirar fotografias, foda-se que já não há paciência…
– Mas…
O Ziggy levantou-se, pagou a bebida, deitou um olhar de desprezo ao Alfredo e ao Pedro e disse:
– Mas … o caralho, adeus meus senhores, boa noite para todos, menos para dois…
Boas ondas.

 

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Papa Chico.

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“O segredo de felicidade é admirar sem desejar.” (Carl Sandburg)

O Pedro P. Fina saía do mar com a sua prancha de surf debaixo do braço quando reparou numa loira deitada na areia, com um bronzeado espetacular. Ficou logo interessado, e como não sabia como havia de meter conversa, resolveu perguntar:
– Por favor, qual é o teu protector?
– São Francisco de Assis.
Boas ondas.

Sorte ao jogo.

“Há duas ocasiões em que o homem não deve jogar: quando não tem dinheiro e quando tem. ” (Samuel Langhorne Clemens)

O Pompeu estava no bar do Alfredo a contar a história do Tó Cavalo quando foi pela primeira vez a um casino. Como toda a gente sabe o Tó, é o Totó oficial da cidade. Contava o Pompeu:
– Ò pá, a malta entrou no casino e o Tó ficou para trás, no hall da entrada. Resolvi ir ver o que se passava, e lá estava ele em frente a uma máquina de bebidas. Metia uma moeda de um euro e saía uma lata. Metia outra e saía outra lata, e assim sucessivamente…fiquei intrigado com aquela merda e perguntei-lhe:
– Desculpa lá Tó, mas vais beber essas bebidas todas?
– Foda-se Pompeu… Não me interrompas que estou a ganhar!
Boas ondas.

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Remédio Santo.

“Se não podemos remediar algo, só nos resta conviver com isso.” (Edward Klumpp)

O Pedro P. Fina entrou no bar do Alfredo e dirigiu-se ao balcão:
– Alfredo, grande amigo, conheces algum remédio radical contra os soluços?
O Alfredo estica-se sobre o balcão e aplica-lhe duas valentes chapadas:
– Pronto! Os teus soluços já passaram!
– Foda-se…Alfredo!…O remédio era para a minha namorada que está lá fora na esplanada.
Boas Ondas.

 

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Amigo desconhecido.

“Sou uma ótima dona de casa: sempre que me divorcio, eu fico com a casa.”
(Zsa Zsa Gabor)

Um cliente que o Alfredo não conhecia estava sentado ao balcão a entornar copos de whisky como se estivesse a beber água. Cada vez que acabava de beber um, erguia o copo e dizia:
– Aquela puta…
Ás tantas o Alfredo perguntou:
– Está-se a referir a alguém em especial?
– Estou! À minha mulher!
– E onde é que ela está?
– Fugiu com o meu melhor amigo.
– Ai sim? E quem é ele?
– Não faço a mínima ideia. Só sei que a partir de agora, é o meu melhor amigo.
Boas ondas.

 

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A Caparica está Radioactiva!

“Entre as drogas que alteram o pensamento, a melhor é a verdade.” (Lily Tolim)

 

Já era noite quando o Pedro P. Fina entrou no bar do Alfredo, dirigiu-se ao balcão e pediu uma cerveja, como estava toda a gente a olhar para ele insistentemente, o Pedro achou que devia quebrar o gelo, deu um grande gole e disse:
– Alfredo, pá, não percebo aquela confusão toda com as águas da Costa da Caparica…
– Então porquê?
– Porque ainda ontem estive lá a surfar mais de duas horas, e não se passou nada, no fim do set ainda nadei um bom bocado e só te digo que a água estava uma maravilha…
– Olha que não!
– Como não? Não tive comichão nenhuma, nem senti nada de especial…
– A Caparica está radioactiva…
– Radioactiva? Ò Alfredo lá estás tu com as tuas merdas. Tens a mania que sabes tudo, como é que podes dizer uma barbaridade dessas?
– Porque estás verde fosforescente…
Boas ondas.

 

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