Orelhão amigo.

“Podemos defender-nos de um ataque, mas somos indefesos perante um elogio.”  (Sigmund Freud)

A Ana Marmelos estava a sair do “Tô Nem Aí” já meio tocada, quando reparou num gay luxuriante (tipo J. Castelo Branco) que estava num orelhão a agradecer em alta voz:
– Obrigada, Obrigada, Obrigada, Obrigada …
E não se calava com aquilo, a Ana ficou curiosa e como estava desinibida devido ao álcool, resolveu perguntar ao gay:
Ó cara, porque é que está a agradecer tanto, e em altos berros?
– Você é portuguesa, né?
– Sou…
– Sabe o que é? É que eu disquei um numero qualquer e perguntei – Qual é a bicha mais gostosa de todo o mundo?
– E?
– E ele me respondeu: – TU, TU, TU, TU, TU, TU, TU, TU, TU, TU…
O BRASIL É UM ESPECTÁCULO.
Boas ondas.

 

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Visita Papal.

“Essencial é para a fé não ver e crer no que não se vê.” (Louis Bourdaloue)

Esta visita do Papa Chico ao Rio foi uma autentica confusão, como a Ana Marmelos não é nada católica, bem pelo contrário, mas queria escrever qualquer coisa sobre esta visita, resolveu ir beber uns copos, e comer qualquer coisa, enquanto o Papa discursava em Copacabana. Escolheu um bar botequim de tradição portuguesa, o Manoel & Juaquim, que fica ali na esquina da Rua Republica do Peru com a Avenida Atlântica. Ou seja, o suficientemente perto para ter uma ideia do ambiente, mas suficientemente afastado para não ter que suportar o cheiro a mijo que se espalhava por toda a Copacabana. Mesmo assim, o cheiro chegava até ás portas do bar. Pudera, com três milhões de camelos na zona, e meia dúzia de WC portáteis para servir tanta gente, outra coisa não seria de esperar. Bom, vamos ao que interessa, a Ana resolveu comer o frango á Passaralho, que segundo a publicidade da casa, leva alho para caramba, (não rima porque é em brasileiro) acompanhado por uns chopps bem geladinhos. Até aí, nada de mais, o problema é que depois da comida resolveu experimentar a cachaça Manoel & Juaquim, uma cachaça de alambique de Mar de Espanha envelhecida, e a que chamam branquinha. Bebeu quatro ou cinco, enquanto ao longe se ouviam algumas palavras do Papa, entrecortadas pelo barulho da multidão, e da clientela do restaurante. A Ana puxou do seu bloco de notas Moleskine, e diligentemente tomou nota das primeiras palavras do Papa em Português:
– Ontem fo’dia santa!
– Hoje fo’dia de graça!
– Quem criou o Mundo “fo’Deuss”!
O BRASIL É UM ESPECTÁCULO
Boas ondas.

 

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Tintins por tintins.

“Perder uma ilusão torna-nos mais sábios do que encontrar uma verdade.”
(Ludwig Borne)

Mas afinal, qual dos cronistas do Surfnoia é que está no Brasil? Perguntam vocês, e perguntam bem. Eu identifico-me, o meu nome é Luis Mario Augusto Pereira Lopes Pissarra. Pissa para os amigos. Bom vamos ao que interessa.
Ontem, ao principio da noite, eu, e a Ana Marmelos resolvemos ir comer qualquer coisa ali para os lados da Lapa e fomos parar a um boteco chamado Estilo da Lapa. Está bem localizado, mesmo no coração da boémia carioca, a comida é razoável, e o ambiente tipicamente carioca, eu queria atum, e o empregado queria que eu comesse uma Bruscheta Mediterrânea, como não gostei muito do nome, decidi comer uma simples sandwich de atum com ovo cozido. A Ana resolveu comer a Bruscheta. A comida era trivial. O que não tem nada de trivial, são as dozes duplas de caipirinha que eles servem. Estava calor, a musica era boa, uma coisa leva á outra e emborcamos bastantes. Muito mais do que devíamos. A ultima coisa de que me lembro da noite passada, é de ver a Ana a dobrar a esquina da Mem de Sá com a rua dos Inválidos, agarrada a um negrão com quase dois metros de altura. Hoje de manhã, acordei deitado na cama, ao lado de uma mulata com corpo de atleta, (parecia a Serena Williams) e com ela a acariciar-me os tintins . A minha boca sabia a papel de embrulho, e tinha uma vaga ideia de uma noite cheia de cambalhotas e acrobacias. Ela continuava a acariciar-me os tintins com um ar muito satisfeito, é verdade que aquilo me estava a agradar, mas como ela não parava, resolvi perguntar:
– Porque é que gostas tanto de me acariciar os tintins?
Ela, com voz de veludo respondeu:
– Tenho saudades dos meus…
O BRASIL É UM ESPECTÁCULO!
Boas Ondas.

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È Macho mesmo.

“97% da beleza da mulher sai com água e sabão.” (Coco Chanel)

Como já sabemos, a Ana Marmelos é fã do bar “Tô Nem Aí”, que á noite se transforma num ponto GLS. Estava ela a beber um copo quando um gay se dirige ao balcão e pede:
– Garçom, me serve um drink bem forte.
– O barman serve-lhe um, e o gay reclama:
– Garçom, eu pedi um drink forte, me dá outro aí que eu sou MACHO!
O barman traz outra bebida e o gay, já meio excitado reclama que quer uma bebida ainda mais forte.
– Eu quero um drink forte pois eu sou MACHO!
– O barman diz que a bebida mais forte que tem é veneno.
– Traz esse mesmo.
– Mas, cara, se você beber isso vai morrer.
– O que importa, se o homem que eu amo não me quer mais…
O BRASIL È UM ESPECTÁCULO!
Boas ondas.

 

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Barbaridade familiar.

“O amor por um só é uma barbaridade: porque se exerce à custa de todos os outros. O mesmo quanto ao amor por Deus.” (Friedrich Nietzsche)

A Ana Marmelos ficou fã do “Tô Nem Aí” e resolveu ir lá beber outro coquetel afrodisíaco, desta vez experimentou o “Orgasm Layer”, com licor de café, amaretto e baileys. Gostou, e pediu outro. Um tipo de meia idade que estava na mesa ao lado, e era meio parecido com o António Banderas (mas mais moreno) fez a pergunta da praxe:
– Você é portuguesa?
– Sou sim…
– Estou sozinho e um bocado na fossa, posso sentar com você?
– Claro…
– Desculpe a minha ousadia, mas ando a atravessar uma fase muito má…
– Então porquê?
– Eu temo que venha a tornar-me um veado meio louco…
– Veado?
– Gay, você entende?
– Hán, han, e porquê?
– Olhe, quando a mamãe morreu e eu era bebé, o meu pai passou a gostar de homens. O meu avô também já era assim e o meu tio também… Bom, agora que a minha mulher me abandonou, você sabe como é…
– Realmente, isso parece grave… Mas ninguém na sua família gostava de mulheres?
– De mulheres? Que me lembre só a minha filha Barbara.
O BRASIL È UM ESPECTÁCULO!
Boas Ondas.

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No calçadão é só saúde.

“Gozai a vossa bela saúde; só é jovem quem passa bem.” (Voltaire)

A Ana Marmelos estava a fazer a sua primeira caminhada matinal (7h) pelo calçadão de Ipanema, quando reparou numa velhinha sentada num banco a fumar um cigarro. Com o seu espirito jornalístico a funcionar a todo o vapor, a Ana resolveu ir falar com a senhora. Quem sabe, talvez descobrisse o segredo da eterna juventude. O melhor mesmo, era perguntar:
– Bom dia, não pude deixar de reparar que a senhora parece muito feliz! Qual é o seu segredo?
– Minha filha, você é portuguesa?
– Sou sim…
– Então vou contar-lhe o meu segredo…
– A sério?
– Claro. Eu fumo dois maços de tabaco por dia, antes de me deitar fumo um grande charro, bebo cerveja todos os dias e duas garrafas de whisky por semana, e só como porcarias. Ao fim de semana tomo Ecstasy, faço sexo que nem uma louca e não faço nenhum exercício físico. Rigorosamente nenhum.
– A Ana ficou de boca aberta:
– Isso é espantoso! Quantos anos é que a senhora tem?
– Trinta e três…
O brasil é um espectáculo!
Boas ondas.

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Bebé gay.

“Antigamente a homossexualidade era proibida no Brasil, depois passou a ser tolerada, hoje é aceite como coisa normal, eu vou-me embora antes que passe a ser obrigatório.” (J. Leite)

Pois, como era de esperar, os nossos leitores não nos deixam sossegados, nem mesmo aqui, no Rio de Janeiro. Recebemos imensos pedidos para continuar estas crónicas. Assim, cá vai disto, mas avisamos desde já que, as crónicas daqui, da cidade maravilhosa, serão muito mais desbragadas, deve ser influência do ambiente permissivo da cidade. A jornalista, e nossa colaboradora, a Ana Marmelos, que nos acompanha nesta aventura, foi beber um coquetel afrodisíaco ao botequim “Tô Nem Aí” que fica numa rua com um nome esquisito, Farme de Amoedo, nº 57. O coquetel chama-se “Fodinha” e tem tequila, licor de menta, anis e canela em pó, e no fim chegam-lhe o fogo. Inspirada pela bebida, que pelos vistos resulta mesmo, resolveu ir dar uma volta pela praia de Ipanema, que fica mesmo ali ao lado, e parou no posto 9, que como toda a gente sabe, tem a maior concentração de gays por metro quadrado do hemisfério sul. Havia alguns (poucos) casais heterossexuais na praia com bebés de colo, que choravam frequentemente, mas a arguta jornalista reparou que o bebé de um casal gay (dois matulões, um de bigode) estava muito tranquilo, numa boa, como se diz por cá. Ficou curiosa e meteu conversa:
– Desculpem, mas o bebé é vosso?
– Claro paixão, arranjamos uma mulher hospedeira, e inseminámo-la artificialmente…
– E ele não chora como os outros bebés?
– Você é portuguesa?
– Por acaso sou…
– Pois então vou contar o segredo para você…
– Agradecia…
– Não fique impressionada com a aparente tranquilidade dele, se lhe tirarmos a chupeta do cú chora como todos os outros.
Boas ondas.

 

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De férias para Copacabana.

“Estou saindo de férias, volto assim que me encontrar.” (Martha Medeiros)

Como toda a gente sabe a vida em Portugal está difícil, por isso, o surfnoia vai de férias para Copacabana, mas não pensem que é só praia e trabalhar para o bronze, não senhor, o surfnoia comprou um detector de metais e uma pazinha, e vai para a praia de Copacabana á procura de ouro. No mínimo, de umas moedinhas, mas há sempre a esperança de encontrar um cordão, ou uma pulseira do nobre metal. Afinal, com três milhões de camelos a dormir, e a rezar na praia, alguma coisa se há-de ter perdido e alguma coisa se há-de encontrar. Haja fé como diz o Chico. Se houver muitos pedidos (basta um) nesse sentido, pode ser que se escrevam algumas crónicas a partir da cidade maravilhosa. Se não, até Setembro, se deus, e, o papa quiser. Boas ondas.

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Puta cara.

“Esse privilégio de sentir-se em casa em qualquer lugar pertence apenas aos reis, às prostitutas e aos ladrões.” (Honoré de Balzac)

No restaurante da Maria Panela, o Pompeu jantava sozinho. Na mesa ao lado, estava uma loira espampanante, também sozinha. A certa altura o Pompeu levanta-se, inclina-se para ela e pede-lhe delicadamente:
— Dá-me licença que leve o ketchup?
— O quê? Não tem vergonha do que me está a propor! — grita a jovem. — O senhor não tem decência?
Todo o restaurante se vira para eles. O Pompeu vermelho como um tomate, balbucia:
— A senhora compreendeu mal. Eu apenas lhe pedi o ketchup…
— Nunca vi uma lata como a sua! O senhor é um ordinário!
O Pompeu volta para o lugar, observado severamente por toda a gente, principalmente pela Maria Panela. Entretanto, a mulher paga a sua despesa, vai à mesa dele e diz em voz baixa:
— O senhor desculpe a minha atitude. Eu explico. Sou socióloga e estou a preparar uma tese sobre as reacções dos homens perante uma situação embaraçosa na presença de público…
É a altura de o Pompeu gritar: — O quê? Duzentos euros mais hotel?! Você não vale metade!
Boas ondas.

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Surfista de bancada.

“De tanto se repetir uma mentira, ela acaba se transformando em verdade.”
(Joseph Goebbels)

O Chico Trambulhas entrou no bar do Alfredo, dirigiu-se ao balcão, e disse para quem o quis ouvir:
– Grandes ondas, fiz dez “tail slides” e cinco “tubos”…
– Eu tive melhor sorte, fiz vinte “tail slides” e dez “tubos” disse o Ziggy que estava sentado ao balcão.
– O Chico olhou para o Ziggy muito espantado e perguntou:
– Também és surfista?
– Não! Também sou mentiroso!
Boas ondas.

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Joseph Goebbels TM logo (Photo credit: Wikipedia)